Páginas

Mostrando postagens com marcador Curitiba. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Curitiba. Mostrar todas as postagens

22.2.13

E la neve viene

Cheguei em Bologna na segunda-feira, 18 de fevereiro. Como já disse, dia frio, mas lindo. Muito parecido com aqueles de Curitiba em julho, quando a grama e os telhados amanhecem branquinhos de geada. Não sei se por ser mais seco ou porque a cidade é muito "fechada" (ruas estreitas, edifícios colados uns aos outros) e não venta, mas foi bem tranquilo andar na rua. Minhas roupas de frio brasileiro deram conta do recado.

Na quarta, o tempo mudou. Amanheceu nublado e garoando. A meteorologia previa neve para o dia seguinte. Quinta-feira, primeira coisa que fiz ao acordar foi olhar pela janela. O friozão e a chuvinha continuavam, mas nada de neve. Cheguei na faculdade para a aula das 11. Depois de algum tempo, olhei pela janela e percebi que a chuva tinha passado a cair em câmera lenta: as gotinhas de água, mais pesadas, estavam se transformando em leves flocos de gelo. Nada a ver com o filme de Fellini, mas não consegui evitar o trocadilho: "E la nave va", e la neve viene.

Os montes de neve no chão e os telhados brancos só apareceram hoje, sexta-feira. Difícil fugir do clichê: é um espetáculo. Capricho nos agasalhos e saio pra continuar resolvendo questões da minha estadia. Caminho mais ou menos 1 km até o escritório da Universidade que atende os estudantes estrangeiros. O trajeto tem poucos trechos com aquelas passagens sob os arcos. Assim, caminho ao ar livre, com neve caindo no casaco. O frio não é um problema. Tirando o rosto, descoberto, de resto estou quentinha. O desafio maior é não escorregar no gelo. Uso uma botinha de camurça com sola de couro, lisa. Tomo nota mentalmente: comprar um par de chuteiras. Brincadeirinha. Mas um sapato com algum tipo de "garra" ajudaria a andar mais rápido.


Calçada cheia de neve: #comofas pra não cair?...

...talvez caminhar pela neve fofa.

Descubro que vou ter que comprar mais uma stampa (um tipo de selo de autenticação) de quase 15 euros e pagar mais algumas taxas, mas ok. Saio do tal escritório e vou para a faculdade. Estou orgulhosa porque andei na neve sem passar frio, porque encaminhei mais uma documentação, porque acertei o caminho de volta sem olhar no mapa, porque não paguei mico escorregando na rua, porque consegui fazer tudo isso e ainda chegar na aula no horário.

O professor está do lado de fora da sala, olhando por uma porta de vidro para o jardim coberto de neve. Diz que ficou pensando sobre o fato de eu nunca ter visto neve antes (havíamos conversado sobre isso ontem) e que devia ser emocionante. Concordei com ele e, como meu vocabulário italiano ainda é bastante limitado, não consegui passar do è bello!.

Só que é muito mais do que bello, mesmo para um europeu que já deve ter visto muita neve na vida. Tanto que ele ainda consegue se encantar: apontou para as árvores do jardim e chamou minha atenção para o desenho formado pela espuma de gelo ao recobrir os galhos nus.


Árvores rendadas no jardim da parte de trás do prédio da faculdade.

Mais alunos chegam e nos encaminhamos para a sala. Antes de entrar, ele diz que acessou o blog hoje de manhã pra ver se tinha algum texto com minhas impressões sobre a neve. Ainda não tinha, mas agora tem. E com imagens da neve imaculada recobrindo os jardins do convento, contrastando com o avermelhado característico da arquitetura bolonhesa: a castidade das religiosas que um dia viveram em Santa Cristina e o sangue do Cristo a quem, simbolicamente, todas tomaram por esposo.


Neve em contraste com a típica arquitetura avermelhada de Bologna: la rossa (um dos apelidos da cidade) vira la bianca.

20.3.11

Curso básico de etiqueta no trânsito. Aula 1: estacionamento.

A cidade está lotada de carros. Falta espaço nos estacionamentos, que dirá nas ruas. Há tanta demanda que os preços de estacionamento em Curitiba já alcançaram os de São Paulo (onde espaço para circular e deixar o carro é escasso há bastante tempo). O melhor seria ter menos carros nas ruas, usar mais o transporte coletivo, andar de bicicleta etc. Mas, enquanto não chegamos a esse nível de consciência e desenvolvimento, podíamos, ao menos, atenuar o problema com medidas simples, ao alcance de todos: a educação e o senso de coletividade.

Que sorte! Achou uma vaga e ainda conseguiu deixar todo esse espaço entre o outro carro?

Uma das coisas que mais me emputecem deixam irritada na rua é ver carros mal estacionados, tirando a vaga de um ou mais veículos, principalmente em áreas onde é difícil encontrar lugar para parar. Veja os espaços desperdiçados por quem acha que a rua é a ampla e irrestrita garagem de casa. O lugar? Imediações da Cantina do Délio e da Bella Banoffi, lotados nos finais de semana.

Ops, espação na frente também. Na sua vaga, vermelhinho, caberiam dois carros com motoristas que sabem estacionar direito.

Alguns podem argumentar: "a rua é pública, eu paro onde eu quero". São as mesmas pessoas que não fazem conversão quando ela é obrigatória, engarrafando a via que deveria fluir; as que miram a mediatriz do carro na faixa que separa as pistas, atravancando as duas vias; as que vão devagarinho almoçar em Santa Felicidade (o que é ótimo), mas fazem questão de andar assim na faixa da ESQUERDA. Enfim, aqueles que são motoristas, mas não são cidadãos, acham que vivem sozinhos no mundo e têm uma péssima educação.

Xiii, o carro preto também está ocupando mais espaço do que deve/precisa.

Existem ainda aqueles que não sabem/não gostam de estacionar, e por isso ocupam uma vaga dupla com seu único carro, para ter mais espaço ao sair. Se você pertence a esse grupo e mesmo assim conseguiu a habilitação (o teste do Detran exige proficiência em baliza), faça um favor à coletividade: abra mão da manobra e pare seu carro num estacionamento.

Que beleza estes dois, hein? Tem espaço pra tudo aí, menos para educação e bom senso.

23.2.11

Por que as curitibanas não usam saia?


Foi meu marido que observou a primeira vez: as curitibanas não usam saia. Ou usam menos do que mulheres de outros lugares. Comecei a reparar. Talvez ele tenha razão. De certa forma, faz sentido.

A ideia ficou rolando na minha cabeça durante algum tempo. Até que me caiu nas mãos uma reportagem sobre as mulheres de Curitiba, publicada na revista Nova de 1982! Não teve como não juntar as duas coisas. E o resultado é este texto, publicado no Digestivo Cultural.

O que você acha? Dê uma olhadinha lá e comente.

16.1.11

Mangia che te fa bene

Delicioso almoço em família no Torna Sorriento. É um restaurante que parece ter tido dias melhores, do tempo em que era moda aqui em Curitiba aquelas cantinas mais penumbrentas, com cara de velhas, ao estilo Baviera, Sacristia e Calabouço.

O Torna Sorriento está sempre meio vazio, o que pode causar uma má impressão ou certa melancolia. Acho que a frequência maior é dos clientes tradicionais, que almoçam e jantam lá há anos. A vantagem: um atendimento de primeira, coisa que tem sido rara hoje em dia, em qualquer tipo de negócio.

Costumo ir de vez em quando, desde que era adolescente. Hoje comemos uma das especialidades da casa: uma deliciosa perna de carneiro assada, rodeada de brócolis e batatas. Um bela salada, arroz e penne na manteiga acompanham o prato. Serve quatro pessoas famintas traquilamente. E digo com segurança: é muuuuito melhor que o carneiro do Famiglia Fadanelli, que também oferece um prato parecido com esse.

Já que o restaurante não tem site, coloquei este vídeo que garimpei no YouTube e que mostra o interior da casa. Não é o almoço da minha família, não conheço ninguém do vídeo, é apenas ilustrativo. Buon appetito!

5.1.11

As férias do Ferrugem

Quase toda viagem é a mesma coisa: meu coração fica partido porque não posso levar o Ferrugem. São poucos os hoteis que aceitam cachorros. O camping onde ficamos agora, no Ano Novo, também não aceita. Meu consolo é que, quando viajamos, o Ferrugem fica num lugar super legal aqui em Curitiba, que é o Roa Canan.

Tem lugares em que os cachorros ficam em gaiolas, não passeiam, ficam estressados. Não é o caso do Roa Canan. O Ferrugem volta até mais magrinho pra casa, de tanto que correu e brincou. Essa certeza de que o cachorro vai ficar bem, de que será bem tratado e de que receberá carinho é o que me deixa mais tranquila.

Olha que graça o certificado que ele recebeu:



Apesar de ser bem tratado e se divertir bastante, não tem jeito: quando volta pra casa, sempre levamos bronca dele. Olha só: